Oncologia

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Doenças da medula óssea: sintomas e sinais que exigem atenção

Entenda os sintomas das doenças da medula óssea como anemia, infecções e sangramentos. Saiba quando buscar um hematologista para um diagnóstico preciso.
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Equipe Hospital da Bahia - Equipe Hospital da Bahia Atualizado em 15/04/2026
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Alterações no hemograma podem indicar problemas na produção de células sanguíneas. Saiba identificar os sinais e quando procurar ajuda médica.

Algumas alterações como glóbulos vermelhos, brancos ou plaquetas abaixo do normal, muitas vezes geram preocupação e uma busca por respostas. Embora nem toda alteração seja grave, alguns desses desequilíbrios podem ser um sinal de que a medula óssea não está funcionando adequadamente.

Quando a capacidade de produzir células sanguíneas saudáveis é comprometida, o corpo começa a dar sinais. Reconhecer esses sintomas é o primeiro passo para buscar um diagnóstico preciso e iniciar o tratamento adequado, protegendo sua qualidade de vida.

O que é a medula óssea e qual sua função?

A medula óssea é um tecido gelatinoso encontrado no interior de ossos grandes, como a bacia, o fêmur e o esterno. Ela atua como a principal fábrica de células sanguíneas do corpo, sendo responsável pela produção contínua de glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. Quando a medula falha em produzir células saudáveis, a capacidade do corpo de transportar oxigênio, coagular o sangue e se defender de infecções graves é prejudicada.

Essa produção ocorre a partir das células-tronco hematopoéticas, que têm a capacidade de se diferenciar em todos os tipos de células do sangue. Uma medula óssea saudável é fundamental para manter o transporte de oxigênio, a defesa do organismo e a coagulação sanguínea em equilíbrio.

Onde a medula óssea está localizada no corpo?

Ao contrário do que alguns podem pensar, a medula óssea não é a mesma coisa que a medula espinhal. A medula óssea está nos ossos, especialmente nos maiores e mais planos, como os do quadril (ilíacos), o esterno e as vértebras.

Já a medula espinhal é um componente do sistema nervoso central, localizada dentro da coluna vertebral, responsável pela transmissão de impulsos nervosos entre o cérebro e o resto do corpo. São estruturas distintas com funções completamente diferentes.

Como a medula óssea produz as células do sangue?

A medula óssea contém células-tronco que são capazes de gerar todas as células sanguíneas. No entanto, falhas na renovação dessas células-tronco da medula podem interromper a produção de glóbulos e plaquetas, o que leva a sinais físicos de esgotamento e falência sanguínea no corpo. Essas células-tronco se dividem e se amadurecem para formar três tipos principais de células:

  • Glóbulos vermelhos (eritrócitos): responsáveis pelo transporte de oxigênio dos pulmões para os tecidos e de dióxido de carbono dos tecidos para os pulmões.
  • Glóbulos brancos (leucócitos): parte do sistema imunológico, combatem infecções por bactérias, vírus, fungos e parasitas. Existem vários tipos, como neutrófilos, linfócitos e monócitos.
  • Plaquetas (trombócitos): são fragmentos celulares que atuam na coagulação do sangue, ajudando a estancar sangramentos.

Qualquer problema na medula óssea que afeta a produção ou a qualidade dessas células pode levar a diversas doenças e manifestar sintomas específicos.

Quais os principais sintomas das doenças da medula óssea?

Os sintomas de doenças da medula óssea surgem da deficiência ou do excesso de um ou mais tipos de células sanguíneas. Eles costumam ser inespecíficos no início, o que pode atrasar o diagnóstico.

A falência da medula reduz células vitais, o que leva a cansaço devido à anemia, baixa imunidade resultando em infecções e maior facilidade para sangramentos. Esses sintomas são comuns, por exemplo, em síndromes mielodisplásicas, então é importante reconhecer a relação entre eles e a função da medula óssea.

Sintomas relacionados à falta de glóbulos vermelhos (anemia)

Quando a medula óssea não produz glóbulos vermelhos suficientes, o corpo não recebe oxigênio adequadamente. Essa condição é conhecida como anemia e seus sintomas incluem:

  • Cansaço extremo e fadiga: sensação de exaustão constante, mesmo após repouso.
  • Palidez: a pele, lábios e unhas podem apresentar um tom mais claro que o normal.
  • Fraqueza: dificuldade para realizar atividades diárias ou sensação de músculos enfraquecidos.
  • Falta de ar: especialmente ao realizar pequenos esforços, como subir escadas.
  • Tontura: sensação de vertigem ou desequilíbrio, podendo levar a desmaios.
  • Dor de cabeça: frequente e muitas vezes acompanhada de pulsação.
  • Palpitações: batimentos cardíacos acelerados ou irregulares, uma tentativa do coração de compensar a falta de oxigênio.

Sintomas relacionados à falta de glóbulos brancos (leucopenia)

A baixa produção de glóbulos brancos, especialmente neutrófilos (neutropenia), compromete a capacidade do corpo de combater infecções. Os sinais podem ser:

  • Infecções frequentes: recorrência de infecções respiratórias, urinárias, de pele ou gengivais.
  • Infecções persistentes ou graves: infecções que demoram a curar ou que se tornam muito graves, exigindo hospitalização.
  • Febre sem causa aparente: episódios febris que não estão relacionados a gripes ou resfriados comuns.
  • Calafrios e suores noturnos: sensação de frio intenso sem motivo ou suores excessivos durante o sono.

Sintomas relacionados à falta de plaquetas (plaquetopenia)

Quando há poucas plaquetas, a capacidade do sangue de coagular fica reduzida, aumentando o risco de sangramentos. Na falência da medula óssea, a produção insuficiente de células sanguíneas manifesta-se através de sangramentos excessivos e maior vulnerabilidade a infecções graves. Observe os seguintes sintomas:

  • Manchas roxas (hematomas) sem trauma: surgimento de equimoses (manchas roxas maiores) ou petéquias (pequenos pontos vermelhos na pele) sem que tenha havido batidas.
  • Sangramentos anormais: sangramento do nariz (epistaxe), das gengivas ao escovar os dentes ou menstruações muito intensas e prolongadas.
  • Sangramento gastrointestinal ou urinário: sangue nas fezes ou na urina, que exige atenção médica imediata.
  • Cortes que demoram a estancar: mesmo pequenos ferimentos podem sangrar por um tempo prolongado.

Existem outros sinais de alerta para problemas na medula óssea?

Além dos sintomas específicos de cada linhagem celular, algumas doenças da medula óssea podem apresentar sinais sistêmicos ou mais gerais. Eles indicam que o problema pode estar afetando outras partes do corpo ou o funcionamento geral do organismo.

Dor óssea e fraturas

A dor óssea persistente, especialmente na coluna, quadris ou costelas, é um sintoma comum em algumas doenças, como o mieloma múltiplo ou certas leucemias, onde as células anormais se acumulam na medula. Em casos avançados, a fragilidade óssea pode levar a fraturas espontâneas.

Perda de peso inexplicável e febre

Uma perda de peso significativa sem dietas ou mudanças de hábito alimentar, acompanhada de febre persistente e suores noturnos, pode ser um sinal de alerta para diversas condições médicas, incluindo algumas doenças da medula óssea ou cânceres.

Aumento de gânglios e baço

O aumento de linfonodos (ínguas) no pescoço, axilas ou virilha pode ocorrer em algumas leucemias e linfomas, indicando a proliferação de células anormais. Da mesma forma, o aumento do baço (esplenomegalia) ou do fígado (hepatomegalia) pode causar desconforto abdominal e sensação de inchaço.

Quais condições podem causar problemas na medula óssea?

Os sintomas mencionados acima podem ser manifestações de diversas doenças da medula óssea, algumas benignas e outras mais sérias. É importante conhecer as condições mais comuns para entender a amplitude dos possíveis diagnósticos.

Anemia aplástica

É uma condição rara e grave em que a medula óssea para de produzir um número suficiente de glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas. Pode ser causada por fatores genéticos, exposição a certas substâncias químicas, medicamentos, infecções virais ou doenças autoimunes. Os sintomas são os de pancitopenia (redução de todas as linhagens celulares).

Síndromes mielodisplásicas

São um grupo de distúrbios em que as células-tronco da medula óssea não amadurecem corretamente, resultando na produção de células sanguíneas defeituosas ou em número insuficiente. Podem evoluir para leucemia mieloide aguda em alguns casos. Afetam principalmente idosos e causam sintomas de anemia, infecções e sangramentos.

Leucemias

São cânceres que se originam na medula óssea e envolvem a produção descontrolada de glóbulos brancos anormais. Existem vários tipos, como leucemia mieloide aguda (LMA), leucemia linfoide aguda (LLA), leucemia mieloide crônica (LMC) e leucemia linfoide crônica (LLC). Os sintomas podem incluir fadiga, infecções, sangramentos e dor óssea.

Mieloma múltiplo

É um câncer das células plasmáticas, um tipo de glóbulo branco encontrado na medula óssea. O acúmulo dessas células cancerosas pode danificar os ossos, os rins e o sistema imunológico. Os sintomas mais comuns são dor óssea, fraturas, fraqueza, infecções e problemas renais.

Outras causas

Deficiências nutricionais (como falta de vitamina B12 ou folato), algumas infecções virais (HIV, hepatite), exposição a toxinas, radiação, certos medicamentos e doenças autoimunes podem, em alguns casos, afetar a função da medula óssea, levando a alterações na produção de células sanguíneas.

Quando procurar um médico hematologista para investigar os sintomas?

É fundamental procurar um médico, de preferência um hematologista, ao notar a persistência de um ou mais dos sintomas mencionados. O diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso do tratamento, especialmente em condições mais graves.

Procure um especialista se você:

  • Sentir cansaço extremo e fadiga que não melhoram com repouso.

  • Perceber palidez na pele e nas mucosas.

  • Tiver infecções frequentes, persistentes ou incomuns.

  • Apresentar sangramentos inexplicáveis (nariz, gengivas, menstruação intensa).

  • Notar manchas roxas (hematomas) ou pequenos pontos vermelhos (petéquias) sem causa aparente.

  • Sentir dor óssea constante, especialmente em ossos longos ou na coluna.

  • Apresentar febre inexplicável, suores noturnos ou perda de peso sem motivo.

  • Receber um hemograma com alterações significativas nos glóbulos vermelhos, brancos ou plaquetas.

Como é feito o diagnóstico das doenças da medula óssea?

O processo diagnóstico geralmente começa com a suspeita clínica baseada nos sintomas e em exames de sangue de rotina. A confirmação e a identificação específica da doença requerem exames mais aprofundados.

Hemograma completo

É o primeiro exame e o mais básico. Ele mede a quantidade de glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas, além de avaliar suas características. Um hemograma alterado é frequentemente o primeiro sinal de que algo pode estar errado na medula óssea.

Mielograma e biópsia da medula óssea

Esses são os exames confirmatórios. O mielograma consiste na coleta de uma pequena amostra de líquido da medula óssea, enquanto a biópsia coleta um pequeno fragmento de tecido ósseo. Ambas as amostras são analisadas em laboratório para avaliar a morfologia das células, a presença de células anormais e a celularidade da medula. Geralmente são feitos no osso da bacia (crista ilíaca posterior).

Exames complementares

Dependendo da suspeita, o médico pode solicitar outros exames, como:

  • Imunofenotipagem: para identificar o tipo e o estágio das células sanguíneas.
  • Citogenética e biologia molecular: para detectar alterações genéticas nas células da medula óssea, importantes para o diagnóstico e prognóstico de certas doenças como leucemias e síndromes mielodisplásicas.
  • Exames de imagem: radiografias, tomografias ou ressonâncias magnéticas podem ser úteis para avaliar danos ósseos ou o tamanho de órgãos como baço e fígado.

Qual o tratamento para as doenças da medula óssea?

O tratamento das doenças da medula óssea é altamente individualizado e depende do tipo específico da doença, sua gravidade, estágio, idade e condição geral de saúde do paciente. O objetivo principal é restaurar a função da medula óssea ou controlar a proliferação de células anormais.

As opções de tratamento podem incluir medicamentos imunossupressores, quimioterapia, radioterapia, transfusões de sangue para aliviar os sintomas da anemia ou plaquetopenia, e em muitos casos, o transplante de células-tronco hematopoéticas (popularmente conhecido como transplante de medula óssea). O acompanhamento contínuo com o hematologista é essencial para monitorar a resposta ao tratamento e ajustar a abordagem conforme necessário.

É possível prevenir doenças da medula óssea?

Para muitas doenças da medula óssea, especialmente as genéticas ou autoimunes, a prevenção direta não é possível. No entanto, algumas medidas podem reduzir riscos ou auxiliar na manutenção da saúde geral, impactando indiretamente a medula óssea.

Manter um estilo de vida saudável, com uma dieta equilibrada rica em vitaminas e minerais essenciais (como ferro, vitamina B12 e folato), evitar a exposição a toxinas ambientais e químicos nocivos, e realizar exames médicos regulares, incluindo o hemograma, são ações importantes. Essas práticas contribuem para a detecção precoce de quaisquer alterações e permitem intervenções mais eficazes, quando necessárias.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

Bibliografia

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