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Equipe Hospital da Bahia - Equipe Hospital da Bahia Atualizado em 31/07/2026

Neurologia

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Trombose venosa cerebral: sintomas principais a serem observados a tempo

Veja quais são os sintomas da trombose venosa cerebral e por que esse quadro inspira atenção imediata.

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trombose venosa cerebral sintomas

A trombose venosa cerebral é uma condição rara e pouco conhecida, mas entender seus sinais e fatores de risco pode fazer diferença na busca por diagnóstico e tratamento precoces

Quem escuta sobre “trombose cerebral” já fica apreensivo pensando se não está associado com um AVC (acidente vascular cerebral) mais comum, aquele causado pela obstrução de uma artéria.

A trombose venosa cerebral (TVC) é um tipo diferente e bem mais raro de evento vascular: ela surge em cerca de 1,3 e 1,6 a cada 100.000 pessoas na população em geral, e sendo 3 vezes mais comum em mulheres do que em homens.

Diferente do AVC clássico, que costuma afetar predominantemente pessoas mais idosas, a TVC afeta predominantemente pacientes mais jovens, com idade média de 37 anos, sendo que apenas 8% dos pacientes têm mais de 65 anos. Justamente por isso, é importante que esse quadro seja mais conhecido, principalmente entre mulheres em idade fértil.

Por que a trombose venosa cerebral é um quadro complexo?

O cérebro depende de um sistema de veias para drenar o sangue de volta ao coração, assim como depende de artérias para recebê-lo.

Quando um coágulo (trombo) se forma dentro dessas veias ou nos chamados seios venosos, o sangue deixa de ser drenado corretamente, o que pode gerar dois tipos de problemas. Um deles é a obstrução local, com edema localizado do cérebro e infarto venoso, e o outro é a oclusão dos grandes seios venosos, que impede a absorção do líquido cefalorraquidiano e provoca hipertensão intracraniana.

Essa complexidade também aparece na forma como o quadro evolui. Diferente de um AVC arterial, que costuma ser súbito, os sintomas da TVC costumam surgir de forma mais lenta e sutil.

O que pode desencadear a trombose venosa cerebral?

A TVC raramente tem uma única causa. Na maioria das vezes, ela resulta da combinação de mais de um fator de risco, que juntos desequilibram o processo natural de coagulação do sangue. Em mais de 85% dos pacientes adultos, pelo menos um fator de risco pode ser identificado.

Entre os principais fatores associados à trombose venosa cerebral estão:

  • Uso de anticoncepcionais hormonais, que é um dos mais frequentes em mulheres mais jovens;
  • Gravidez e puerpério, sendo a maior incidência após o parto;
  • Trombofilias não tratadas corretamente, que podem ser hereditárias ou adquiridas;
  • Infecções, principalmente das vias aéreas superiores;
  • Em quadros graves de meningites;
  • Doenças inflamatórias e autoimunes, como o lúpus e doenças inflamatórias intestinais;
  • Câncer, principalmente em pacientes com mais idade (acima dos 55 anos);
  • Desidratação grave, anemias e traumatismos cranianos;
  • Obesidade, que pode potencializar o risco geral.

Nesses casos, o acompanhamento médico é imprescindível. O profissional poderá orientar a pessoa com base nos exames de rotina, mas também investigar quando exista alguma suspeita.

A trombose venosa cerebral está relacionada a outras doenças?

Como vimos acima, a TVC costuma estar entrelaçada a outras condições de saúde, e não surge isoladamente na maioria dos casos.

Doenças que alteram a coagulação do sangue (trombofilias), condições inflamatórias e autoimunes, infecções e até certos tipos de câncer fazem parte do conjunto de causas que os médicos investigam quando diagnosticam esse quadro.

Por isso, depois do tratamento inicial, é comum que o paciente passe por uma investigação mais aprofundada. O médico precisará entender qual foi (ou quais foram) os fatores que contribuíram para a trombose, ajudando a definir o tempo de tratamento e a prevenir que o quadro se repita.

Quais são os sintomas da trombose venosa cerebral mais predominantes?

O sintoma mais comum e mais importante de se conhecer é a dor de cabeça: a cefaleia está presente em cerca de 90% dos casos, sendo o sintoma principal.

Mas não é uma dor de cabeça qualquer. Como a dor de cabeça é uma queixa extremamente comum na população em geral, o alerta está nas suas características.

Segundo especialistas, deve-se ponderar a possibilidade de TVC quando a dor de cabeça é diferente de qualquer dor que a pessoa já teve antes. Quando ela aparenta ser mais intensa, contínua, em uma localização não usual, ou quando vem acompanhada de outros sinais, como:

  • Alterações na fala;
  • Diminuição de força muscular em um lado do corpo;
  • Crises convulsivas;
  • Alterações visuais;
  • Sonolência progressiva, confusão mental e desorientação, que em casos mais graves e não tratados podem evoluir para rebaixamento do nível de consciência.

Vale reforçar: ter dor de cabeça não significa ter uma trombose venosa cerebral. A grande maioria das dores de cabeça tem causas muito mais simples e comuns. O ponto de atenção está justamente na combinação desses sinais, principalmente diante de fatores de risco conhecidos, como o uso de hormônios, gravidez recente ou histórico de trombose.

Quando procurar atendimento médico

Diante de uma dor de cabeça muito diferente do habitual, ainda mais se ela vier acompanhada de outros sintomas neurológicos ou se a pessoa tiver algum fator de risco associado, a recomendação é buscar atendimento médico de emergência o quanto antes.

O diagnóstico é feito por meio de exames de imagem, como tomografia, ressonância magnética ou angiorressonância. O tratamento pode envolver anticoagulação, com acompanhamento neurológico especializado.

O atraso no diagnóstico é um dos principais riscos desse quadro, mas o oposto também é verdadeiro: quanto antes o tratamento é iniciado, maiores são as chances de recuperação e menores os riscos de complicações.

Por isso, o mais importante é conhecer os sinais, sem pânico, mas com atenção e não hesitar em procurar ajuda médica diante de qualquer dúvida.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

Bibliografia

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Ranjan R, et.al. Pathophysiology, diagnosis and management of cerebral venous thrombosis: A comprehensive review. Medicine (Baltimore). 2023 Dec 1;102(48):e36366. doi: 10.1097/MD.0000000000036366. PMID: 38050259; PMCID: PMC10695550. Disponível: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10695550/. Acesso em: 29 jul. 2026.

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