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Portadores de doenças crônicas devem continuar tratamentos mesmo com pandemia, alerta cardiologista

Apesar dos avanços dos casos de coronavírus e do alerta ligado para a pandemia, outras doenças não deixam de acometer parte da população. Quadros de doenças crônicas não infecciosas como cardiovasculares (insuficiência e arritmia cardíaca), hipertensão arterial, diabetes e câncer também precisam de atenção. Os tratamentos de pacientes que lidam com esses problemas devem continuar, bem como o uso contínuo dos remédios.

Conforme explica o médico cardiologista e presidente do Hospital da Bahia, Jadelson Andrade, as medidas de segurança contra a Covid-19 devem ser tomadas e o isolamento social é, de fato, a melhor forma de prevenção, no entanto, outras doenças não podem ser negligenciadas. Um bom exemplo, cita o médico, são dos problemas cardiovasculares, que matam ao menos 17 milhões de pessoas anualmente em todo mundo.

“É preciso recomendar que essas pessoas mantenham as suas medicações. Houve uma ideia de que alguns remédios de pressão têm iteratividade com o coronavírus, que fragiliza, e não tem nada cientificamente comprovado em relação a isso. O recomendado é que os diabéticos e hipertensos mantenham as suas medicações de uso contínuo para evitar que haja uma crise hipertensiva, uma elevação dos níveis de glicemia”, alerta em entrevista ao Varela Notícias.

“E, além de manter as suas medicações, que as pessoas entrem em contato com seus médicos, para dar continuidade ao seu tratamento. Se por acaso o médico recomendar que vá ao hospital, que o paciente deva ir, mas ao sair tenha os cuidados de prevenção. As pessoas estão adiando procedimentos cirúrgicos, diagnósticos importantes e não há necessidade disso. As pessoas têm que cuidar das suas outras doenças”, frisa.

Medidas de segurança

Em meio à pandemia, hospitais e clínicas criaram medidas rigorosas em relação aos pacientes infectados com a Covid-19. No Hospital da Bahia, por exemplo, foi criado um setor individualizado na emergência, com uma equipe especializada para lidar com suspeitas da doença. Quando há necessidade de internação, os pacientes são encaminhados para um setor também separado, que conta com 23 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Por conta das medidas de segurança tomadas, não existe nenhuma incidência de contaminação interna, nem entre colaboradores, como médicos e enfermeiros, nem entre pacientes.

“Estamos mantendo o Hospital absolutamente protegido. Por conta disso, o Hospital continua funcionando normalmente nos outros setores, continua atendendo na emergência normalmente os pacientes que têm outras doenças. Desde antes de começar a pandemia que o Hospital da Bahia montou uma estrutura de gerenciamento de crise, comandada por doutor Marcelo Zollinger. E tocamos a vida normal”, explica o presidente da unidade de saúde.

Preocupação

Por causa da redução no número de buscas por tratamentos ou manutenção deles em pacientes com doenças crônicas, a probabilidade é que, ao fim do pico da pandemia os hospitais não deem conta para atender as pessoas que vão necessitar de cuidados para estes tipos de enfermidades. Andrade ainda alerta para o fato de que os casos mais graves de pessoas que contraíram coronavírus serem em pacientes com comorbidades associadas como essas doenças crônicas.

“O que acontece, esses pacientes estão adiando procedimentos cirúrgicos, intervenções cardiológicas, quando terminar tudo isso, vai ser um volume que nenhum hospital vai conseguir atender. Vai haver uma fila de espera enorme, porque se todo mundo adiar os seus procedimentos pode ficar uma coisa muito grave. (…) Essas pessoas são as mais frágeis [frente ao coronavírus]. E se as pessoas não tiverem controlando bem a sua pressão arterial, controlando bem a sua glicemia, essas pessoas podem ter problemas”, continua.

“Outro grupo que nos preocupa é o câncer. O câncer mata 9 milhões de pessoas no mundo. As pessoas não podem adiar seus tratamentos por medo de ir aos consultórios médicos e hospitais. Devem seguir a orientação, buscar informações dos seus médicos e se o médico aconselhar, que vá ao hospital e depois volte para casa para manter o seu isolamento. As pessoas estão se mantendo em casa, como devem ficar, mas devem entender também que as outras doenças não esperam, elas vão evoluir”, diz.

“Outros são pessoas que tem tratamento para depressão. Para essas doenças estão com dificuldade para comprar os remédios porque não têm acesso às receitas. Então se isolam em casa, depressivos, não buscam uma alternativa e isso tem nos preocupado. Há que se prestar atenção no outro lado da história, que são pacientes que têm doenças crônicas de alto índice de mortalidade”, revela.

Prevenção

Apesar do alerta, Jadelson Andrade faz questão de frisar a todo instante a necessidade cuidar da saúde para evitar o contágio pelo coronavírus. E ainda alerta para que os pacientes não busquem os hospitais por sintomas que não sejam graves, como tosse ou coriza.

“Não é esse perfil de paciente que estamos nos referindo. estamos nos referindo a pacientes que têm doenças crônicas. E essas doenças também matam e matam muito e elas precisam ser acompanhadas. Se você tem algum sintoma em casa atribuído a sua doença ou alguma alteração que não seja sintoma de coronavírus, como alteração intestinal, dores no peito, nódulos nos seios, vá à emergência, use sua máscara, que você estará se cuidando”, fala.

“Temos recomendado que as pessoas continuem mantendo o isolamento, o distanciamento social, lavem as mãos com frequência, façam uso do álcool em gel e ao sair, se tiver essa necessidade, e que usem as máscaras. Esse é um ponto que a gente defende como ponto de prevenção. Essas recomendações são fundamentais, principalmente neste momento agora que nós vamos entrar no pico da doença na Bahia e no Brasil. Está previsto para o final desta semana, até o início de maio”.

“Neste momento, mais do que nunca, as pessoas precisam se manter em casa, se distanciar uns dos outros quando estiverem em algum lugar que haja necessidade absoluta de ir. Se for, que se mantenha distante de pelo menos dois metros. Quando alguém espirra ou tosse lança isso em até dois metros e a máscara funciona como uma barreira mecânica impedindo que esse vírus vá direto para as vias aéreas, como nariz e boca”, finaliza.

Fonte: Varela Notícias