Pesquisa alerta para alta frequência de lesão renal aguda em nonagenários

O estudo científico teve como base casos tratados no Hospital da Bahia

A lesão renal aguda tem ocorrido com grande frequência durante o internamento de pessoas idosas, com 90 anos ou mais, em hospitais e Unidades de Terapia Intensiva (UTI’s). Esta condição pode aumentar em 6,5 vezes a chance de morte desses chamados nonagenários.

Os dados fazem parte de um levantamento feito com estudos de casos do Hospital da Bahia (HBA). O trabalho científico será apresentado no dia 07 de fevereiro, na Faculdade de Medicina da Bahia, em Salvador, durante a defesa de uma tese de Mestrado do nefrologista André Luis Bastos Souza, aluno do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Universidade Federal da Bahia (UFBA). A tese contou com a colaboração de 03 graduandos em medicina da UFBA, Osvaldino Vieira de Santana Filho, Victor Hugo Ferreira e Léda e Letícia Mascarenhas de Souza. Teve como orientador o Dr. Paulo Novis Rocha, coordenador do Serviço de Nefrologia do Hospital da Bahia (HBA).

“Estudamos dados práticos que poderão ajudar, objetivamente, nossos colegas nefrologistas a tomarem decisões diante de um paciente nonagenário com lesão renal aguda. Decisões que muitas vezes são difíceis, que nem sempre são acompanhadas de fundamentação teórica (por ausência de dados na literatura), que trazem implicações morais e éticas e que, na maioria das vezes, modificam a história final de vida de um idoso e seus familiares. Estudar quase 500 pacientes foi um trabalho árduo, difícil e complexo”, afirma o nefrologista e orientando André Souza.

O orientador do estudo científico, o dr. Paulo Novis Rocha, destaca que dos 436 nonagenários estudados, 196 desenvolveram lesão renal aguda durante a internação hospitalar, o que significa uma incidência de 45%.

“Quando olhamos apenas o subgrupo dos nonagenários internados em UTI, a incidência foi de 52%, ou seja, mais da metade. O desenvolvimento de lesão renal aguda aumenta muito a chance de óbito. Em nosso estudo, nonagenários com lesão renal aguda tiveram uma chance de morrer 6,5 vezes maior do que os nonagenários sem lesão renal aguda”, afirmou.

A pesquisa ainda comprovou que nonagenários com lesão renal no contexto de um quadro clínico geral muito grave evoluem para óbito com ou sem o procedimento de diálise, sugerindo, portanto, a reflexão sobre o uso destes procedimentos dialíticos nesta população a fim de não prolongar o sofrimento do paciente e nem dos seus familiares.

“Nosso dever como médico é de proporcionar o que é melhor para o paciente e, em certas situações, isso significa aceitar as nossas limitações e não apelar para a obstinação terapêutica”, explica o nefrologista do Hospital da Bahia.

Paulo Novis Rocha ainda reforçou a importância da pesquisa para a medicina nacional, uma vez que o assunto é pouco explorado pela literatura médica no Brasil. Também destacou a vocação do hospital baiano para a academia.

“Essa é a primeira tese de mestrado defendida com dados coletados no Hospital da Bahia.  O hospital já tem a sua própria residência médica em Cardiologia e é campo de prática para a residência médica em Nefrologia da UFBA”, salientou.

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