Obesidade na infância e adolescência aumentou dez vezes nos últimos 40 anos

Especialista alerta que a obesidade nessa faixa etária é um grave problema de saúde pública.

Na infância e na adolescência, o excesso de peso pode determinar dificuldades de socialização, assim como risco para o desenvolvimento da obesidade, doença que é um problema de saúde presente ao redor do mundo. Estima-se que o número de obesos entre os adolescentes aumentou dez vezes nos últimos 40 anos. A OMS estima que, hoje, existam 124 milhões de crianças e adolescentes obesos no mundo . No Brasil, já são 15 % das crianças e adolescentes acima do peso, em fazendo o recorte na região Nordeste a realidade é um pouco pior, com 16,6% de obesidade na infância e adolescência .

Quem traz as informações é o endocrinologista do Hospital da Bahia, Cristiano Gidi. Ele alerta que a obesidade nessa faixa etária deve ser encarada como um grave problema de saúde pública. “Diversos fatores podem ser apontados como causa desse aumento, mas especialmente a alimentação inadequada e o crescente sedentarismo. Estamos todos nos movimentando menos e nas crianças e adolescentes o impacto dessa mudança parece ser crucial”.

Fora as questões práticas da vida, crianças e adolescentes têm ainda o fator hormonal, que pode desencadear a obesidade. Com a puberdade os níveis hormonais modificam e favorecem o ganho de peso. A alteração hormonal esta associada a mudanças psicológicas e período de rápido crescimento que alteram o padrão do apetite. Esse impacto é ainda maior nas meninas”, destaca Gidi.

Fatores genéticos também podem influenciar no problema, conforme detalha o endocrinologista. “Hoje estima-se que a contribuição dos fatores genéticos gira em torno de 60% e 70% na obesidade. Entendemos cada vez mais que obesidade é uma doença crônica e que precisa ser tratada desta forma. Fatores ambientais ou psicológicos são os gatilhos, mas só desenvolvem obesidade nos indivíduos geneticamente predispostos”.

Nesse aspecto, Gidi reforça que pessoas deprimidas ou ansiosas podem desenvolver a obesidade. “Algumas pessoas quando ansiosas ou deprimidas perdem peso por redução do apetite neste período. Mas pessoas com obesidade tendam a buscar no alimento uma forma de gratificação que visa aliviar o estresse ou o sofrimento psicológico. Entretanto o ganho de peso decorrente desse hábito costuma piorar o estado psicológico”, explica.

As recomendações do endocrinologista para evitar o desenvolvimento do problema continuam sendo a manutenção de uma alimentação saudável, evitando excesso de gorduras e carboidratos, especialmente os refinados, além do estímulo a prática de atividade física. “Mas, um vez que o problema se instala, é necessário buscar avaliação com endocrinologista e nutricionista . Obesidade é uma doença , não é desleixo ou falta de ‘vergonha na cara’. Precisa tratamento sério, e não soluções milagrosas”, conclui .

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